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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A História do Primeiro Presépio

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O povo chamejante desceu até à baixada e começou a subir, lentamente, pelas curvas de um caminho, até chegar à gruta. As rochas, iluminadas por aquelas luzes de chamas, davam uma impressão indescritível.
Tinham preparado, na entrada da gruta, um enorme presépio, com feno e palha. De um lado, em pé, um burrinho comia o tempo todo. Do outro lado, um boi não menos manso. Junto ao presépio, de pé, repleto de consolação e felicidade, o Pobre de Assis esperava o começo da liturgia.
Francisco aproximou-se do povo, colocando-se entre o presépio e os assistentes. Começou a falar. Parecia que ia cair em pranto. Repetia muitas vezes: Amor! Amor! Amor! Depois começou a repetir estas palavras soltas: Infância, Pobreza, Paz, Salvação. Às vezes, parecia a ponto de chorar.
Mas, aconteceu o inesperado. A ameaça de choro foi desaparecendo, pouco a pouco, e o Irmão ficou completamente sereno, insensível e ausente. Esquecendo o povo, começou a dirigir a palavra a “Alguém” que, supostamente, encontrava-se em cima do presépio, como se não existisse mais ninguém no mundo. Agia como uma mãe com seu bebê: sorria para ele, fazia-lhe gestos e usava expressões que as usam com seus filhinhos, no berço.
Pronunciava “Jesus”, “Menino de Belém” com uma cadência inefável. Era como se seus lábios se untassem de mel, e agia como quem saboreia o doce que ficou nos lábios. Repetia, muitas vezes, a palavra “Belém” como se fosse o balido de uma ovelha, no estábulo de Belém.
Inclinava-se para o presépio, como se fosse beijar alguém ou tomá-lo nos braços, como se fizesse as carícias que as mães fazem para com seus filhinhos.
João Velita garantiu ter visto, com os próprios olhos, o Menino Jesus adormecido. Ao sentir as carícias de Francisco, o Menino despertou e sorriu para o Irmão. Isso foi o que afirmou João Velita.
Foi uma noite inesquecível. Todos os habitantes de Grécio tiveram a impressão de que sua gruta tinha sido transformada numa nova Belém, e contavam milagres.
(Trecho livro “O Irmão de Assis” de Inácio Larrañaga)
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Vinte Anos sem Tom

Faz vinte anos que, de forma meio repentina, partiu o Maestro soberano Antônio Carlos de Almeida Brasileiro Jobim ou, simplesmente, Tom Jobim. Recordo-me, ainda hoje, o susto com que recebi a notícia do seu falecimento por parada cardíaca em Nova Iorque e a tristeza que senti. 

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PASSARIM
Letra e Música de Tom Jobim
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“Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz.” 
( Tom Jobim)

“O meu Jardim Botânico não é muito o das palmeiras imperiais. É mais obscuro, da borda do mato, das sabiás, dos micos, do caxinguelê, da juriti e da... cuidado! Eventual jararaca... Os acarás de pinta azul e preta, parados na correnteza.” 
(Tom Jobim)
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Eu cá de baixo, no meu quarto exíguo ,
Tenho uma impressão estranha, mas feliz,
De que sou a raiz obscura e dolorosa 
de uma árvore pujante ,
De cujos ramos, cheios de orvalho e pranto,
Brincam dois passarinhos encantados,
Eriçam as penas festejando a vida.
Jorge Jobim
(Pai do Tom)
(trecho do poema Felicidade)
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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Oração do Natal

Uma oração para refletir o Natal que se aproxima.
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Oração do Natal
    Rei Divino, na palha singela, porque te fizeste criança, diante dos homens, quando podias ofuscá-los com a grandeza do Teu Reino?
Soberano da Eternidade, porque estendeste braços pequerruchos e tenros aos pastores humildes, mendigando-lhes proteção, quando o próprio firmamento te saudava com uma estrela sublime, emoldurada de melodias celestes?
Certamente, vinhas ao encontro de nosso coração, para libertá-lo.
Procuravas o asilo de nossa alma, para convertê-la em harpa nas Tuas mãos.
Preferias esmolar segurança e carinho, para que, em te amando, de algum modo, na manjedoura esquecida, aprendêssemos a amar-nos uns aos outros.
Tornavas-Te pequenino para que a sombra do orgulho se desfizesse, em torno de nossos passos, e pedias compaixão, porque não nos buscavas por adornos do Teu carro de triunfo, como vassalos de Tua Glória, mas, sim, por amigos espontâneos de Tua causa e por tutelados de Tua bênção...
E modificaste assim, o destino das nações. Colocaste o trabalho digno, onde a escravidão gerava a miséria, acendeste a claridade do perdão, onde a noite do ódio assegurava o império do crime, e ensinaste-nos a servir e a morrer, para que a vida se tornasse mais bela...
É por isso que, ajoelhados em espírito, recordando-Te o berço pobre, ofertamos-Te o coração...
Arranca-o, Senhor, da grade do nosso peito, enferrujado de egoísmo, e faze-o chorar de alegria, no deslumbramento de Tua luz!... Conduze-nos, ainda, aos tesouros da humildade, para que o poder sem amor não nos enlouqueça a inteligência, e deixa-nos entoar o cântico dos pastores, quando repetiam, em pranto jubiloso, a mensagem dos anjos:
- Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens!...
Meimei
(Psicografado por F. C. Xavier)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Jardim da Fantasia

Uma singela e bela música.
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JARDIM DA FANTASIA

Bem ti vi, bem ti vi,
Andar por um jardim em flor,
Chamando os bichos de amor, 
Tua boca pingava mel.

Bem ti quis, bem te quis,
E ainda quero muito mais,
Maior que a imensidão da paz,
Bem maior que o sol.

Onde estás? 
Voei por este céu azul,
Andei estradas do além,
Onde estará meu bem?

Onde estás? 
Nas nuvens ou na insensatez?
Me beije só mais uma vez, 
Depois volte pra lá.

Compositores: Jorge Luiz Guimarães
e Paulinho Perda Azul
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domingo, 16 de novembro de 2014

Sobre a Solidão

   “A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado.
   A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração."
Madre Teresa de Calcutá
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SOLIDÃO
“O presidente, porém, disse: - mas, que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: - seja crucificado.” (Mt, 27:23)
À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível...
Onde se encontram os que sorriram contigo no parque primaveril da primeira mocidade? Onde pousam os corações que te buscavam o aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras ridentes do início?
Certo, ficaram...
Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contacto da menor chama de luz que se lhes descortine à frente.
Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio...
Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido...
Tua voz grita sem eco e o teu anseio se alonga em vão.
Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura?
Choras, indagas e sofres...
Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso?
A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida.
A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza.
A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho.
Não te canses de aprender a ciência da elevação.
Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça.
Recorda-te dele e segue...
Não relaciones os bens que já espalhaste.
Confia no Infinito Bem que te aguarda.
Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o Divino Amigo dos Homens não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.
EMMANUEL
(Do livro "Fonte Viva", cap. 70 – psicografado por F. C. Xavier)
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Conta e Tempo

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CONTA E TEMPO

Deus pede hoje estrita conta do meu tempo.
E eu vou, do meu tempo dar-Lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo
O tempo me foi dado e não fiz conta.
Não quis, tendo tempo fazer conta,
Hoje quero fazer conta e não há tempo.

Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

Frei Antonio das Chagas
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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Tocando em Frente

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TOCANDO EM FRENTE

Ando devagar porque já tive pressa
Levo este sorriso, porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei,
Eu nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva pra florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente,
Compreender a marcha,
E ir tocando em frente.
Como um velho boiadeiro levando a boiada,
Eu vou tocando os dias pela longa estrada,
Eu vou, estrada eu sou.

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz.

Ando devagar porque já tive pressa
Levo este sorriso, porque já chorei demais.
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
De ser feliz.

Almir Sater e Renato Texeira
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sábado, 4 de outubro de 2014

Pobre Francisco...

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     “Pobre Francisco, por que te preocupas? Por que sofres tanto? Eu sou. Sou a aurora sem ocaso, sou o presente sem passado. Eu sou a eternidade. Eu sou a imensidade. Eu não tenho contornos nem fronteiras. Eu sou.
     Por que tens medo, Francisco, filho de Assis? Eu sou o único Salvador. Posso tudo. Tiro filhos vivos das pedras frias. Num instante faço levantar em pé gerações sepultadas. Desde sempre e para sempre sou o único Pastor. Eu sou o único guia dos povos. Também sou o único Pastor dos oito orfãozinhos – e de todos que virão – da Porciúncula.
     Francisco, filho de Assis. Acredita em mim. Espera em mim. Pula, vem. Só precisas colocar-te em minhas mãos. O resto eu farei. Eu serei o fundador e o guia da nova Ordem. Eu serei teu descanso e tua força, tua segurança, tua alegria, tua ternura, teu pai, tua mãe...”
(Trecho do livro “O Irmão de Assis” de Inácio Larrañaga)
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sábado, 20 de setembro de 2014

Ouvir Estrelas

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OUVIR ESTRELAS

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
(Poesias: Via Láctea, 1888)
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sábado, 30 de agosto de 2014

Assim Quero Envelhecer

“Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e uma das mais difíceis tarefas na grande arte de viver.” (Henri Amiel)
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Assim Quero Envelhecer

Quero envelhecer sorrindo,
Depois de tanta lágrima vertida,
Quero envelhecer servindo
Para dar sentido à minha vida!

Quero envelhecer perdoando,
Com o coração sem ódio e sem rancor;
Quero envelhecer sonhando,
Que no mundo ainda existe amor.

Quero envelhecer, Senhor,
Ao pé da tua Cruz, ao lado de Maria,
Secando suas lágrimas de dor,
E recebendo forças para um novo dia.

Assim quero envelhecer,
Olhar para trás, missão cumprida.
Juntar as mãos em prece e dizer:
- Aqui estou Senhor: recebe minha vida!
Iracema Osório Jorgens

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