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terça-feira, 9 de setembro de 2008

É Preciso

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta
nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer
de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer
o nosso rosto,
o nosso nome,
o som da nossa voz,
o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer
é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser
como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.
Cecília Meireles
*****
(Fonte da foto - www.imagens.kboing.com.br)

4 comentários:

Carol Timm disse...

Benja,

Jamais pensaria que este poema era da Cecília...

Ela tem poemas encantadores que me supreendem e este certamente é um deles.

Beijos,
Carol

Marilac disse...

Benja,
Lindo poema de Cecília.
"É preciso não esquecer nada..."

E fico pensando nas coisas que negligenciamos por causa desse corre corre em que vivemos.vou ficar mais atenta!!!

Que imagem bonita, a borboleta azul com grafismos lindos nas asas

bjs
Marilac

Paulo disse...

Tanta coisa que é preciso...

Eternessências disse...

Este poema me é muito querido, "Benja"!
O esquecimento de coisas essenciais é uma prática viciada de todos nós. Cecília nos convoca, com sua doçura poética, a revermos essa nossa postura e a nos sensibilizarmos, pois a vida se constitui do que é substancial.
Uma aprendizagem necessária!...
Carinho,
Rose.

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