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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

...e na Hora de Nossa Morte

Hoje ao amanhecer encontrei a Aninha morta, uma cachorrinha da raça Dálmata que foi encontrada na rua abandonada alguns anos atrás, tudo aconteceu de forma repentina e rápida. Fiquei pensando, com esse triste acontecimento, no quanto a vida é efêmera e surpreendente, de que por mais que queiramos, não temos controle sobre ela, e no exemplo de morte que essa doce cadelinha deixou, pois morreu como viveu, de forma tranqüila, silenciosa, serena e sem queixas. O que me fez recordar o texto do Sr. Clóvis, “...e na Hora da Nossa Morte”; que coloco para nossa meditação. Que o querido santo receba essa meiga cadelinha com todo carinho e amparo que fez por merecer.
*****

...e na Hora de Nossa Morte

Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito.
(Lc 23: 46)

André Maurois, lembrando as últimas palavras de algumas figuras notáveis da velha Europa, deixa-nos concluir que esses vultos do passado assumiram, na hora da morte, as mesmas posições mentais dos seus dias de luta, de saúde, de trabalho...
E cataloga o escritor:
Carlos II, da Inglaterra, morre como rei, como gentleman: “Levei um tempo incrível para morrer; espero que me desculpareis...”
Richelieu, como ministro: “Perdoais a vossos inimigos?” – “Não tenho outros que não os do Estado”.
Corot, como pintor: “Espero que possa pintar no céu...”
Chopin, como músico: “Tocai Mozart em minha lembrança”
Napoleão, como chefe: “França... Exército... vanguarda do exército...”
Cuvier, como anatomista: “A cabeça começa a comprometer-se...”
Halle, que além de filósofo era médico, examinou seu pulso até o fim e falou a um colega: “Meu amigo, a artéria cessa de bater”. E morreu.
Lagny publicara no começo do século XVIII um método infinitamente novo e abreviado para extração de raízes quadradas e cúbicas. Quando estava à morte, e já não reconhecia amigos, parecendo completamente inconsciente, alguém lhe pergunta:
- Lagny, qual é o quadrado de doze?
- Cento e quarenta e quatro – respondeu. E expirou.
O Evangelho de Jesus Cristo nos ensina que cada um morre como vive. Quem vive bem, na luz e na virtude, morre bem e bem desperta na vida eterna.
É o que significam as palavras do Mestre afirmando também a veracidade do contrário, dirigidas aos judeus rebeldes e endurecidos de coração, que buscavam somente os interesses desta vida, desprezando a vontade de Deus: “Vós morrereis em vossos pecados”. (Jo 8: 24).
Morreremos como houvermos vivido: o nosso último minuto sobre a terra será o reflexo positivo e fiel de todos os minutos de nossa vida.
Não foi sem razão que Kipling compreendeu tão bem o valor dos sessenta segundos...
Morreremos como houvermos vivido na face deste mundo, onde Deus espargiu tantas coisas belas e onde os homens têm semeado tantas misérias e corrompimentos.

Clóvis Tavares

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(Fotos - Irmão Sol, Irmã Lua)

4 comentários:

Eternessências disse...

Lembrei-me, "Benja", das palavras da Dra. Elizabeth Kübler- Ross:

"Sempre digo que a morte pode ser uma das maiores experiências que se pode ter. Se você vive bem cada dia de sua vida, não tem o que temer."

Paz!
Rose.

Carol Timm disse...

Benja,

Ontem li esse seu post e me emocionei com a partida da Dalmata. Lembrou a perda dos meus gatos, a primeira com câncer, tão sofrida. O segundo tão doentinho...

Enfim, me fez pensar que nunca tive um bichano que morresse assim, dormindo.

É sempre triste para quem fica, porque temos saudades desses pequenos seres companheiros, mas se ela partiu assim, teve uma suave passagem.

Beijos e forças para continuar em frente.

Carol

Ela disse...

Ola

Estava com saudade daqui, e infelizmente esta notícia triste.

Abraço

Marilac disse...

Benja,
Que Deus lhe abençoe e lhe dê o conforto espiritual nesse momento de dor!
Como a Aninha era linda, belas fotos! Eu tive um casal de dalmatas Half e Pantera, ambos vieram morar conosco já adultos, o Half era de um velhinho amigo e a Pantera era de um casal jovem cuja mulher não gostava de cachorros.
Eles se acostumaram logo conosco e trouxeram muita alegria a nossa casa.Era sempre complicado doar os filhotinhos que nasciam.Eles eram lindos!

Belo texto do Sr.Clovis Tavares na hora da morte, cada um revela como viveu! A morte é mesmo um grande mistério!

Tenho certeza que o querido Santo a recebeu com todo carinho!

Abraços
com carinho,
Marilac

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