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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Lembrando um Grande Poeta

"A amizade é um amor que nunca morre."
Canção para uma valsa lenta

Minha vida não foi um romance…
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo…

Minha vida não foi um romance…
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance…
Pobre vida… passou sem enredo…
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance…
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso… de um gesto… um olhar…
*****

O que o vento não levou

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

*****

Mário Quintana por Mário Quintana:
“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.”
Quintana veio a falecer em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 88 anos, e dizia sobre sua morte: "Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".

“E não importa para onde vamos seguindo, entre nós sempre haverá a lembrança de um olhar, de um carinho, e da integridade de momentos sinceros.”

Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

*****
(Textos – Mário Quintana)
(Fotos – desconheço autor)

7 comentários:

Eternessências disse...

Quintana e seus "quintanares"...
Grnade homenagem, "Benja"!
E muito bem feita!
Um abraço cainhoso!
Rose.

Eternessências disse...

P.S. ao comentário anterior:
Grande também foi o erro cometido por mim, ao digitar a palavra "grande"! (rsrs...)

Eternessências disse...

E o "cainhoso" acima? "A emenda ficou pior do que o soneto"!
Sem comentários! (rsrsrs...)
Acho que este vai sem erros finalmente!

Ela disse...

Eu adoro Quintana, e as coisas leves das quais ele fala, um carinho... um vento morno... um toque...Estas são coisas que não tem preço e nos fazem bem a alma! Como este POST.

Adorei!

Carol Timm disse...

Benja,

Conheci Quintana tarde, na adolescencência, Caderno H foi presente de meu primeiro namorado.

Mas Quintana, desde então permanece em meu coração...

Posso pensar em muitos poetas de que gosto, mas Quintana é sempre aquele que me fazer aprender um poesia nova... ele tem um olhar de criança que me encanta, como poucos.

Lindo post esse seu, fiquei muito feliz de lê-lo no final de mais um longo dia!

Beijos,
Carol

Mel disse...

Benja, gosto quando vc parece no blog, obrigada pelas visitas!
E este pos foi um presente, obrigada por proporcionar-me a leitura. Gosto muito do Quintana!
Um fim de semana de luz.

PS: Vou linká-lo!
:)

Marilac disse...

Benja,
Linda homenagem a um poeta muito querido por todos nós!
Muito bom vir aqui e ler estes poemas e conhecer um pouco mais da vida do grande Quintana!

bjs
Marilac

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