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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Voz Que Se Cala

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro,
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!…
Florbela Espanca
*****
(Imagem - desconheço autor)

4 comentários:

Beth/Lilás disse...

Tão bela esta Florbela!
abs cariocas

Marilac disse...

Benja,
Gosto muito da Florbela Spanca.
Conheci sua poesia inicialmente através da musica do Fagner :
" Minha alma de sonhar-te anda perdida...".´palavras intensas e apaixonadas.

Não conhecia esse poema mais sereno e igualmente belo.

bjs
Marilac

obs:eu tb sou fã do Andrea desde o cd romanza.Sonho um dia em assistir a um show dele.

Mel disse...

Benja, é no silêncio que fazemos que melhor ouvimos.

Bom fim de semana!

Rose disse...

"Benja":
A poesia de Florbela é forte, latente, passional, na maioria das vezes.
Não conhecia este poema, em especial.É significativo. Foge, um pouco, ao seu tom mais comum: o da emoção exposta como ferida aberta.
Fazendo um trocadilho: acho a sua poesia "bela" como "flor"... mas ela revolve nossas emoções profundas e,às vezes,"espanca"...
Paz!
Rose.

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