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sábado, 5 de abril de 2008

São Francisco e o Crucificado

Francisco encontrou o Crucificado nos crucificados dos caminhos, nos hansenianos e nos pobres. Só então o Crucificado de São Damião lhe falou. Desde então um terno sentimento de com-paixão o fazia mergulhar mais e mais na paixão de Cristo. Os estigmas antes de se cravarem nas mãos começaram a cravar-se no coração.
Não há em Francisco dolorismo ou exaltação da cruz pela cruz. Há sim a irrupção vulcânica de um amor que busca identificação com o Amado que não é amado. No coração não reina tristeza segundo o mundo mas compaixão segundo Deus. Por isso a alegria só se opõe à tristeza mas não ao sofrimento assumido por amor à pessoa sofrida.
A luz atravessa a cruz e lhe transfigura a realidade. Agora não é mais tormento mas símbolo do amor sacrificado.
Se o hábito não faz o monge, o monge faz o hábito, Francisco quis vestir um hábito em forma de cruz para marcar seu corpo com o sinal da cruz que trazia no coração. Fez o hábito de um saco, com a corda e o capuz. É marrom, da cor do húmus, da terra.
A pessoa deve ser humilde como a terra que tudo acolhe pacientemente: a vida da semente, a morte do corpo, a água preciosa e casta e o fogo belo e jucundo, vigoroso e forte. Não cabe envergonhar-se das origens humildes e terrenas de nossa existência. Importa fazer-se terra com a terra, respeitando seus ciclos, apreciando seus frutos e flores e amando-a como nossa irmã, a mãe terra.
Leonardo Boff
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(Imagem - Túnica que pertenceu a São Francisco, conforme alguns estudiosos)

2 comentários:

Eternessências disse...

"Benja":
O segredo da vida feliz - cada vez mais estou convencida - está em nos mantermos ligados à simplicidade. A nossa Mãe Terra nos dá a lição cotidianamente. Tudo tem o seu ciclo; tudo, na Natureza, segue, obedecendo à Lei.Talvez, por isso, não se tem notícia de uma árvore revoltada, uma onça perdulária,uma rosa corrupta ou coisas assim, típicas do ser humano.
"Simplifica, simplifica!" Estas palavras do poeta ainda ecoam no mundo , para que atendamos apenas às necessidades reais de nossas vidas. O resto será sempre o peso do supérfluo!
Que o Poverello - em sua santa simplicidade- possa velar por nós e nos orientar pelos caminhos da existência!...
Carinho,
Rose.

Eternessências disse...

Sobre nos acostumarmos a dar sem esperar nada em troca, nem mesmo um sorriso, penso que o verbo adequado é COMPREENDER e não ACOSTUMAR, pois o costume, neste caso, pode nos levar à apatia e à indiferença; pode nos levar a crer que essa atitude é aceitável. E não é esse o caso. Se não somos ainda correspondidos em nossos melhores propósitos ou sentimentos,devemos procurar compreender e aceitar como quem aprende. Mas o nosso futuro espiritual será de harmonia de afetos e de ações e, para isso, devemos nos preparar, desenvolvendo hábitos saudáveis à alma!.
Não sei se consegui ser clara. De qualquer modo, podemos continuar essa conversa qualquer dia desses!
Abraço carinhoso!
Rose.

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